“De quem é a culpa pelo fim do amor?”

“De quem é a culpa pelo fim do amor”? Nesse TEDx a juíza Andrea Pachá conta um pouco da sua experiência numa Vara de Família onde as pessoas buscam, muitas vezes, justiça pelo fim do amor.

O fim de um relacionamento amoroso e o fim do amor não acontecem concomitantemente para todos os envolvidos. O reestabelecimento do amor, pelo juiz, é uma das expectativas prováveis de quem busca o Poder Judiciário para reclamar o que perdeu com o divórcio, por exemplo. Mágoa, frustração, dor e angústias são alguns dos elementos presentes nas entrelinhas dos processos judiciais de uma Vara de Família. As pessoas descobrem, do modo mais doloroso, que o casamento é na realidade bem diferente do que foi idealizado. Então surge o luto pelo fim do amor, e a expectativa (também frustada) de que um processo judicial resolva isso. Mas será que as dores e contradições da própria humanidade – como diz Andrea Pachá – serão cuidadas e curadas numa Varas de Família? Nem sempre, mas especialmente sob o olhar dela.

Gostar de gente, tentar entender o que cada um tem a dizer do seu lugar, reconhecer a incapacidade de resolver os conflitos no âmbito de um processo, “autorizar” as pessoas a viver a tristeza e a dor, ouvir as sobras do amor na sala de audiência, entender o tipo de conflito e a expectativa dos envolvidos, saber que todas as historias têm diferentes versões, reconhecer que não é possível julgar sem ouvir, tentar fazer uma justiça com afeto e liberdade. Isso forma a base desse trabalho tão especial  apresentados na palestra.

Nada mais complexo e desafiador do que trabalhar com os conflitos interpessoais familiares. A escuta atenta e interessada dos relatos, o cuidado com os diferentes tempos do luto pelo fim do amor, a legitimidade para todas as versões da história, o acolhimento de todos os envolvidos são fundamentais no trabalho de juízes, advogados e mediadores de família. Precisamos reconhecer nossa humanidade e a dos outros, com todas as implicações e limitações decorrentes. A partir daí é possível fazer justiça. Justiça em sentido amplo, ou melhor, amplíssimo.

Dora Awad – @awad gestão de conflitos

 

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